Em minha cabeça as coisas finalmente parecem estar se acertando. Já sei o que penso e o que sinto, o que dói e colocar isso para fora, como se eu tivesse que parir minhas ideias com todo o sofrimento de fazê-las renascerem... Agora num outro plano. No plano das letras.
Lembro que quando pequeno meus pais falavam comigo constantemente e me diziam o que fazer, mesmo que as pessoas de fora dissessem que haviam me abandonado, falassem o quão idiota eu estava sendo... Nunca me tiraram de lá e eu cresci perturbado, cresci devagar, amando cadáveres e ignorando o que tinha de bom a minha volta.
Hoje sou crescido, tenho barba que faço constantemente... Os meus cabelos alaranjados passam de meus ombros, estão compridos, admito... Mas não tenho vontade de cortá-los. Como adolescente, mantive um estilo que é baseado na coisa que mais gosto em todo esse mundo... Sim, são os piratas.
Engraçado, creio que estou esquecendo de mencionar algo... Disse que agora eu fumo? Disse que meus fantasmas foram enterrados por hora?
Lembrei-me... Hoje eu tenho alguém comigo, afinal, é egoísmo falar só de mim mesmo... Ele enxergava meus fantasmas e não lembro nunca de ter-lhe agradecido. Não lembro de ter dito que o amava...
Refletiu um pouco sentado como estava e deu de ombros, sorrindo doce. Apertou mais a caneta entre os dedos compridos e deu continuidade a sua carta.
O nome dele é Adrik, bonito, não é? Acho que é alemão, nunca perguntei a origem do nome... É ele que me apoia quando volto a minhas crises e quem me abraça a noite. É a ele que devo o fato de estar vivo hoje...
E prometo, juro que um dia vou contar-lhe o quanto amo.
Encarou a carta por alguns minutos, leu, releu as palavras escritas e dobrou aquilo, colocando dentro de um dos cinzeiros e ateando fogo. Sabia que todas aquelas cartas eram sem cabimento, gasto de tinta e neurônios... Mas precisava fazê-lo.
O faria enquanto virasse o rosto e o visse dormir tranqüilo sobre sua cama... O faria enquanto não tivesse coragem de segurá-lo pelos ombros e dizer o que sentia.
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Fate é um dos meus personagens que mais gosto, principalmente pelo seu passado trágico. Gosto de dar vida aos seus distúrbios e amores platônicos.
Quando mais novo ele passou por muita coisa, teve que crescer com a esquizofrenia, com a ausência dos pais - fisicamente - e com um loooongo amor platônico que durou vários anos. Por um cara que já estava morto.
Calma, sem necrofilia.
Depois de conhecer o Adrik ele fugiu como um covarde do país e foi construir a vida bem longe. Quando voltou, reencontrou o Adrik e eles agora estão morando juntos. É uma longa história que pretendo contar em outros textos pequenos como este.
Obrigado por ler.
Atenciosamente,
Hansel Wax.
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