sábado, 5 de novembro de 2011

Eu tinha certeza de que a felicidade não havia sido feita para mim. Todas as minhas tentativas de ser feliz haviam sido falhas, afinal era eu o filho da união macabra de uma criatura das trevas com uma humana pura. Não podia dar certo, julgava eu.


Ah noite... Vinha ela, e junto, a certeza de que mais um dia terrível se seguiria. As pessoas que amei pouco a pouco foram se mostrando monstros. Humanidade miserável. Eram todos tolos, tolos e humanos. Alguns demônios, algumas almas bondosas, mas nunca quando se chegava perto o bastante. Estava a ponto de desistir de minha existência frágil, quase a ponto de me entregar aos planos macabros de meu pai, já que nem meu filho, nem meu esposo me davam ouvidos, eles não queriam mais me ver. No entanto me surgiu uma luz. Uma bela luz de olhos verdes e cabelos longos, encaracolados. Ele diferia tanto de mim no modo de ser, era tão puro e ainda duvidei de seus propósitos. A criatura mais bondosa de todo esse mundo podre. Suas frases soavam como música, como carícias, era doce, me acalentava e não pedia nada em troca. E me sentia tão terrível por não lhe retribuir. O que poderia fazer-lhe além de dizer o quanto era perfeito? Além de elogiá-lo? Eu ainda estava preso a um humano por aqueles laços, e sabia eu que meu pai, aquele tirano, só queria que cedesse, que me entregasse ao rapaz tão perfeito. Ele acertou. Eu não podia resistir ao seu sorriso, ao seu rosto fino coberto de sardas graciosas, aos seus dedos macios tocando meus cabelos. Mal via a hora de inclinar-me e roubar seus lábios, que deveriam ser tão doces quanto suas palavras. Alongar minhas presas e fincá-las em seu pescoço, roubando um pouco de vida, um pouco do amor que sei eu, lhe pulsa abundante pelas veias. Ah Samuel, se soubesse como penso, se tivesse ciência das barbaridades que imagino enquanto velo seu corpo a noite. Sou um vampiro, pertenço às trevas, mas você parece não se importar, pelo contrário, me parece cada vez mais preso, amante de um homem, de um monstro que nem te pode corresponder. Tolice a tua, com teu rosto e jeito, podes fazer qualquer um cair. Porque como perfeição teria que aparecer a mim? E eu sorrio, porque sei que cada vez que sorrir você vai estar mais perto, admirando meus defeitos que te apetecem tanto. Não quero entender seus gostos, só quero que não saia de perto de mim nunca, que espere até que eu cuspa no rosto daquele humano e seja todo vosso. Lançar-me-ei ao teu coração, puxarei cada resquício de humanidade que tens e te levarei até meu castelo, já que sou tão poderoso quanto é meu pai. Mesmo que não seja tirano, mesmo que eu não seja cruel posso ser por ti, matarei e mataria mil homens se fosse preciso, já que se apaixonou por minha imagem e pelo monstro que sou. Agora construo fortuna e possuo terras, terei meus lacaios e tu serás meu. Melhor, será minha rainha, dividirei tudo o que possuo contigo e cuidarei para que permaneça tão puro quanto és, mesmo que eu, infante como sou, tenha que roubar toda a maldade do mundo com minhas mãos. E mesmo que pareça um monstro, como pareço agora enquanto te escrevo isso, perto de ti serei o mesmo Shiro, a luz branca cujo núcleo é negro, o vampiro de aparência infantil que te ama.
Tanto quanto é amado por ti.

Amor...

Eu amo. Sendo uma das faces do amor eu amo desesperadamente, e amo meu melhor amigo com todas as minhas forças. Tantas vezes tentei me conter, deixar de abraçá-lo e não consegui. Não entendo seus atos bobos, a vontade que tem de ficar perto de mim, mas mesmo assim o amo, por isso que nunca o afasto, por isso estou sempre perto, beijando seu rosto, afagando-lhe os cabelos. Vontade de nunca mais soltá-lo. Meu amigo, meu melhor amigo, que não quero, nem ouso dividir com ninguém. Chamo-me Philos, e das faces do amor sou a primeira, a amizade pura, o amor de amigo, fraternal que me une para sempre com quem está perto de mim. Nos cantos, suspiro enquanto meu parceiro não aparece, Eros que sempre faz questão de estar grudado a mim, geralmente procura outros para descontar seu amor, que não entendo. Para mim, amor é amor, amizade. Para mim, todas as faces do amor são as mesmas. Por isso tenho ciúmes, queria que Eros fosse só minha amizade, só meu amor, mas ele parece procurar outros corpos, outras presenças para amar como se só eu não fosse o suficiente. Sofro calado, mas o espero de braços abertos, e o aperto desesperadamente no meu abraço quando aparece, lindo como só ele, perfeito. Meu amigo.


Eros. Queria tanto poder dizer tudo isso a ele. Sei que não me ouviria, já que está centrado em tantas outras coisas distantes... Mas uma vez, só uma precisava que prestasse atenção em mim, nas lágrimas que derramo por ciúmes, por medo de que não fiquemos mais juntos, de que nossa proximidade vá embora. Não, não quero, não posso... Preciso dos abraços dele, de toda a vontade que tem de tocar minha pele quando estamos juntos, mesmo sem eu saber o porquê disso. Afinal ele quer me amar de um jeito diferente, um amor que não conheço. Quer que nos envolvamos como amantes, mas sei que este amor não foi feito para mim. Só quero enchê-lo de carinhos, de afáveis beijos, abraços apertados. Quero niná-lo, o fazer dormir em meu colo e velar seu sono. Fui feito para te amar, Eros.
Por isso meu coração bate tão forte.
Por isso o espaço no peito não parece o bastante.
“Philos ama Eros. Não ama como deveria amar, não consegue consumir tudo isso com amizade. Ele ama mais, ele quase o devora com seu amor mesmo sem saber por que faz isso. Philos tem um pouco de Eros e de Ágape, afinal cada face do amor é ela mesma, abraçada com as outras duas. Philos precisa de Eros com todo o egoísmo da amizade, com toda a possessão dela, e sofre por isso. Philos é puro, mas a amizade gerada por ele não. Não é, nunca foi, é motivo para morrer, matar e chorar. Por isso, se pudesse colocava o amigo entre os braços e nunca mais o soltaria, por isso o aperta tão forte em meio aos abraços.”
Porque até o amor sofre. E sofre por ele mesmo, egoísta.

AIDS

Eu vi como suicídio é uma palavra boba. Minha vida eram cacos e não parecia ter oportunidade de se reerguer, mas aconteceram algumas coisas, importantes que me fizeram mudar de idéia. Mesmo sabendo que o fim estava ali na frente, eu acreditava que havia salvação. Que o que eu tinha feito de ruim poderia ser consertado.


Minha infância foi difícil, cresci no meio de marginais em bairros afastados do centro, era uma comunidade pequena, quase uma favela onde todos se conheciam. As pessoas sabiam tudo sobre todos e os boatos se espalhavam facilmente. Quando disse para minha mãe que era homossexual, ela pareceu querer me julgar, me exilar apesar de não tê-lo feito. Fiquei feliz, porque duas semanas depois ela já parecia ter aceitado aquilo, no entanto eu comecei a ficar doente, e fui obrigado por ela (por causa da minha condição de gay) a fazer o teste do vírus HIV. Para minha surpresa, eu estava infectado. Eu era virgem, não entendia como aquilo teria se dado, pelo menos até lembrar-me de uma transfusão num hospital do bairro por causa de uma perna quebrada, no fim do ano anterior. Ali passei por uma época horrível, fui deserdado, meus pais não queriam sequer olhar nos meus olhos, minha irmã era a única que me dava apoio, apesar de até ela ser proibida de me ver. Tentei me matar muitas vezes, fiquei pior extremamente rápido, tive que começar a dividir apartamento com mais quatro amigos. Tive que me levantar, afinal não havia morrido ainda. Foi após levantar, em uma tarde bela, numa consulta de rotina que o encontrei. Bobagem, o tirei do hospital porque estava chorando, queria fugir dos pais. Sua condição também era frágil. Abri os braços para ele e nos tornamos íntimos tão rápido que quase não senti, só percebi como estava meloso e romântico no dia dos namorados, quando fui procurar um presente para ele. Nesse dia, parei e me sentei num banco, na rua, refletindo sobre o que tinha se passado. Meu menino, meu anjo, meu Matthews estava em um hospital. Câncer. As lágrimas foram impossíveis de conter, mas logo em seguida eu sorri, doce. Estava em um estado tão sublime, com uma pessoa tão perfeita que não podia chorar. Eu o amava tanto, o amo tanto que só pensar em nossa condição já me parecia um absurdo. Éramos pessoas comuns. Podíamos amar como pessoas comuns. O tocava com tanto cuidado, com tanto carinho. Se eu pudesse olhar para seus olhos e dizer tudo o que sinto, sei que choraríamos. De felicidade e medo.
“Amor...” Eu o olharia com meus olhos negros e iria sorrir em meio às lágrimas. Meus braços o envolveriam carinhosamente, afagando suas costas. Os lábios se encontrariam de forma singela, doce. O beijaria como da primeira vez, como da última. Seria otimista, o levantaria e brincaria com ele, lhe faria cócegas, lhe faria rir. Faria-lhe sentir cada palpitar no peito como se fosse o último, faria os ritmos de nossos corações se igualarem.
“Só penso em você.” Sentado naquele banco, fiquei ciente de como sua existência era o bastante para mim. Peguei meu celular e liguei para o dele, estava desligado, mas havia a opção de deixar uma mensagem de voz.
“Te amo, Matthews. Te amo e quero que fique comigo para sempre. Quer namorar comigo?” A opção de apagar a mensagem surgiu e rindo nervoso, a apaguei. Engraçado como eu nunca fui confiante nem era agora. Coloquei o celular no bolso, toquei no presentinho que o havia comprado e corri até o ponto de ônibus, tomando-o para ir ao hospital. O pediria cara a cara. Se pudesse voltar atrás o pediria antes que me pedisse, porque no fim daquele dia, dentro do quarto frio e branco de hospital onde nos tornamos um, quem me pediu em namoro foi ele. E me senti tão sensível, tão quente por dentro, tão confortável... Que antes de viajarmos, mês que vem, eu pretendo pedi-lo em casamento.

Carta

E quem diria que aquele que escreve tanto ficara tão sem jeito para fazer algo assim.


Pois é. A verdade é que não sou muito bom escrevendo coisas em primeira pessoa, muito menos quando o personagem principal sou eu mesmo. Só sei escrever contos bobos e depressivos, que apesar de expressarem meu próprio passado e o que tenho no meu peito, não parecem comigo exteriormente. Geralmente meus personagens são fortes e conseguem superar todas as dificuldades que são colocadas em seus caminhos, mas eu não sou assim, quantas vezes já caí? Perdi a conta da quantidade de vezes que havia desistido e que alguém teve que me levantar, agradeço hoje, pois o que de bom construí, devo àqueles que salvaram minha pele no passado, que não deixaram que eu mergulhasse no caminho sem volta, tão cruel. Engraçado, quando conheci o Mill, estava tentando me recuperar da última queda, tão macabra que parecia que minhas pernas haviam sido cortadas. E acho que havia acontecido quase isso. Nele eu vi uma oportunidade de cair de cabeça em algo distante daquele sofrimento todo. Criando responsabilidade, esqueceria de meus problemas. Ou assim eu pensava. Não digo que hoje me pego amando. Suspirar pelos cantos e sonhar com romances, com cenas melosas era algo que eu fazia bem antes, hoje não posso me dar a esse luxo. Digo que me pego imaginando, lembrando dele e divagando. Me pego escrevendo sobre ele e sobre seu outro eu. Tão escondidos, envolvidos e diferentes um do outro. Hoje, não descarto a possibilidade de amar novamente, coisa que eu enojava antes. Acreditava que o motivo de permanecer na terra era para pagar meus pecados, que felicidade era algo muito, muito longe! Hoje... Isso está tão perto, em cada sorriso do Mill ou em cada abraço do Key (NÃO, NÃO VOU COMENTAR OUTRAS COISAS), no fato de eles estarem tão perto, me apoiando e me ninando, me impedindo de ter pesadelos a noite ou de chorar pelos cantos, como fazia antes. Só posso agradecer e dizer, sem sombra de dúvidas que não me faltam mais motivos para ser feliz. Agora só preciso correr atrás, porque sem lutar ninguém pode ter nada.
Hansel Wax

Dói...

Pela milésima vez jogou a bituca de cigarro pela janela. Era tão difícil conseguir conviver com tudo aquilo... As pessoas eram todas diferentes e geralmente não o levavam a sério. Era porque tinha uma aparência inofensiva? Comum? Era porque era chorão e não agressivo?
Mesmo que tentasse não conseguia ser diferente do que era na verdade. Fechou os olhos escuros cobertos pelas lentes pesadas dos óculos e relaxou na cama, fechando um livro de capa laranja que lia e jogando-o de lado, no chão. Desde pequeno seu sonho foi fazer as pessoas em volta felizes, por isso era obediente e era tão bobo. Fazia todos os favores que lhe eram pedidos, respondia exercícios para os amigos... Mas nada daquilo o fazia realmente feliz.
Costumava dizer que sua felicidade dependia da dos outros, e era verdade... A única coisa que nunca pode fazer foi amar alguém.
Pelo menos até algum tempo...
Com treze anos, Hansel adquiriu um passatempo novo, ele impedia as pessoas de se matarem. E sorria tanto depois em meio as lágrimas quando via que dera certo.
Conheceu uma menina que estava a ponto de embarcar ao mundo das trevas... Ela estava irritada com tudo e com todos, era uma boba, não tinha motivos, mas queria morrer. Ele não deixou é claro...
Passou semanas aconselhando ela, fazendo carinho em seus cabelos, rindo sempre que ela ria e chorando quando dizia que iria desistir. Não... Havia muita coisa para ser conquistada.
Conseguiu e passou algumas semanas se recuperando. Os olhos fechados derramavam tantas lágrimas que até parecia que sentia alguma dor, mentira, estava feliz, realizado... Dedicaria sua vida a aquilo.
No ano seguinte conheceu mais uma garota – a anterior leva sua vida até hoje. Diferente da anterior, esta outra não queria morrer, mas não cuidava de si mesma, a luz de seus olhos havia sumido. Ela disse que gostava dele como tantas outras haviam dito antes... Ele não podia corresponder, não estava plenamente feliz... E buscava a si mesmo, a sua felicidade, espalhando alegria em meio aos caminhos. Ela tentou se matar e ele a segurou, disse que não conseguiria nada assim, chorou por ela.
Conseguiu novamente... Mas depois de um tempo, quando estava sozinho, as coisas começaram a ficar ruins. Não conseguia manter o sorriso no rosto. Só sorrir não bastava, não tinha pontos de apoio, não tinha nada. Não podia falar com os amigos... Eles nunca entenderiam.
Contrariando todos os seus conceitos e tudo o que dizia ele começou a se cortar, cada corte era um pouco de si mesmo, um pouco de seus problemas que iam embora com o sangue. Mas... Mas ele não agüentava fazer isso, era como se estivesse morrendo aos poucos, as coisas não podiam acabar ali. Nada tinha fim, ele não podia largar tudo o que acreditava assim, num piscar de olhos.
Foi quando o conheceu. Um acaso mágico... Logo de início começaram a conversar de vários assuntos, a intimidade veio com o passar do tempo. Enquanto Hansel se cortava, aquele outro garoto também o fazia, eles dividiam sentimentos, dividiam amores... Apaixonaram-se. Foi algo que nasceu extremamente rápido, ele sabia que tinha sorte por ter encontrado aquele outro rapaz, ambos juntos se completavam, um tinha o que faltava no outro.
E se amavam tão intensamente, de forma tão calorosa... E tão singela.
Mas como disse, a história nunca acaba... E não acabou aí, eles brigaram por um motivo tolo e passaram um bom tempo sem se falar. Hansel se mudou, foi para outra cidade se martirizando enquanto lembrava-se do outro rapaz. Algumas semanas depois recebeu um telefonema. Ele tinha... Se matado.
Tinha certeza que nunca chorara tanto na vida inteira, se odiava por ter salvado tanta gente e ter mandado quem amava para um destino tão trágico. Não chegou a tempo do velório, só pode ir ver seu túmulo depois. Sentou ao lado da lápide e encostou a cabeça nela... Chorando com pesar, quieto e apertando as rosas vermelhas nas mãos, o buquê enorme.
Pedia desculpas, batia de leve a cabeça no túmulo e se desculpava. Se desculpou por várias horas a fio, chorando e declarando-se para ele. O amava tanto... Uma... Uma relação que começou de forma tão bela, porque tinha que terminar assim?

Ao chegar a casa, sujo de terra e lágrimas... Ele foi até seu quarto, jogando-se na cama e pegando atrás dela uma pequena caixa de madeira, com suas lâminas tão bem conservadas. Não tinha mais sentido continuar. Os cortes começaram superficiais, mas aos poucos ele forçava as lâminas com mais e mais força, perdendo mais e mais sangue, se condenando aos poucos. Quando estava a ponto de desmaiar sonhou acordado.
Ele... Chegou perto de si e segurou seu rosto, beijando-lhe os lábios carinhosamente e negando com a cabeça. Perguntou o que estava fazendo e Hansel não conseguiu dizer nada... Ele riu um pouco mais alto, fez carinho nos cabelos do garoto e tomou suas mãos, beijando seus pulsos e pedindo para que parasse. Aquilo estava errado.
Acordou no hospital com os punhos enfaixados, o médico lhe disse que quase morrera e que fora salvo pela mãe. O rapaz olhou para os próprios pulsos e voltou a chorar.
Ele lhe disse que deveria continuar. Que o salvara para continuar... Hansel superaria, demorou alguns anos, mas superou... E hoje, hoje ele vive para fazer os outros viverem.

Acendeu mais um cigarro e tragou preguiçosamente, abrindo os olhos e sentindo uma lágrima solitária delinear seu rosto. No criado mudo ao lado, um retrato Dele. Acreditaria para sempre que era seu anjo... E honraria seu coração. Tirou os óculos e passou as mãos nos olhos, suspirando.

Ainda... Tinha muito para viver.

Namorado

Mais um pedaço arrancado de pele e estava perfeito. Perfeito preso naquela cruz feita de madeira, sua pele branca completamente rasgada e seu sangue descendo. Contraste divinamente belo. E eu? Eu já sentia meu corpo pulsando por dentro e por fora, o coração disparado, a ereção dolorida no meio das pernas. Belo. Bonito demais para ser ignorado ou deixado para trás.
Para minha felicidade, a cruz não era assim tão alta e suas pernas estavam soltas, só era preso pelas mãos e pela pele acima dos ombros. O peito estava retalhado por cortes de lâmina e eu via... Entre suas pernas que estava gostando tanto quanto eu. Pena que teria que morrer, ninguém sobreviveria a aqueles cortes, a todo aquele prazer. Segurei suas pernas com cuidado e as afastei, fazendo com que as apoiasse sobre meus ombros enquanto suas costas ainda batiam contra a cruz.
Era tão linda sua expressão de prazer... Ou de dor.
Coloquei dois dos três dedos que usaria para prepará-lo, ele se remexeu reclamando apesar de saber que eu não iria parar. Forcei o terceiro quase de imediato e ele gemeu, deliciado. Era assim que eu o queria. Os forçava contra ele devagar, rasgando um pouco de seu interior com minhas unhas que eram um pouco maiores do que o sugerido para quem vai fazer essa tarefa. Ele chamava pelo meu nome, pedia que eu parasse.
Deus! Como suportar algo assim? Inclinei-me e tomei seus lábios com fúria, mordendo sua língua que ele enroscava desesperadamente a minha, enquanto isso, abri minhas calças e comecei a roçar sua entrada com meu membro teso. Deus ele estava pedindo por aquilo! E como estava! E como estava!
Sem separar-me daquele beijo, comecei a me forçar contra ele, sem dó, sem piedade, até sentir que ele largava minha boca para gritar. Eu estava em êxtase quase absoluto, meu corpo pulsava e eu me via amando cada vez mais aquele garoto de longos cabelos negros. Usei minhas mãos para segurar suas coxas e afastá-las, estocando seu íntimo, gemendo conforme ele gritava, conforme chamava pelo meu nome e lentamente começava a gemer... Tanto quanto eu agora.
Por mais incrível que pudesse parecer, ele gozou antes de mim e pareceu entregue, exausto. Eu, pelo contrário ainda desejava seu corpo, sequer percebendo quando ele tombou o rosto, já sem vida, pálido para o lado. Alcançava seu interior, o tomava tão intensamente que não ia percebendo sua temperatura cair... Era de forma tão singela.
Puxei-o com força daquela cruz, rasgando suas mãos e a pele de seus ombros, jogando-o com violência no chão, virando-o de bruços e suspendendo seu quadril. Nunca havia ficado tão louco quanto estava naquele momento. Lambia sua pele, mordia, arrancava alguns pedaços que não tardava a engolir, mas tudo isso sem parar de invadir, de violar seu corpo que julgava eu, ainda estava vivo.
Cheguei ao meu apogeu, a aquele ponto que não tem mais volta, que você cai por cima do corpo alheio e fica respirando seu cheiro, roçando o rosto em sua pele. Manchei seu interior com meu prazer e me afastei, jogando-me ao seu lado e o puxando contra meu corpo. Estava um pouco frio... Tinha febre? Estava desmaiado?
Sorri de forma até doce, puxando seu rosto contra o meu, roubando seus lábios em um beijo sedento, onde buscava sua língua ainda um pouco quente, que, no entanto não se movia. Afastei-me e acariciei seus cabelos. Deitei a cabeça em seu peito com cortes profundos e parei, procurando ouvir seu coração.
Não mais batia.
Deixei que o sorriso só aumentasse e o tomei no colo, deitando-o entre meus braços e começando a cantar-lhe uma música, algo que eu sabia desde sempre, mas não fazia idéia de quem tinha me ensinado.

Oh doce menina
Venha no meu embalo
Sorria gentil para seu amigo
Sorria gentil para seu namorado
Abra seus olhos da cor do céu
E venha olhar o desfile
As cores e amores na frente de você
Fazendo com que não exista mais... nada.
Não exista mais céu
Não exista mais amigo
Não exista mais namorado
Olhe o desfile até que seus olhos se fechem
E você possa ver de perto seu céu
Seu amigo que já morreu
E venha buscar... o seu namorado

Confesso que rezei para que ele voltasse para me buscar, mesmo não sendo meu namorado. Ri de minha tolice pouco depois e levei o corpo comigo. Merecia o melhor lugar de meu jardim, aquele na frente das roseiras enterrado com meu primeiro namorado.

. . . BOOM!

Estava ciente de que agora era simplesmente inútil.
  
Antes eu era apaixonado. Por armas, por tudo que fosse brande e fizesse BOOM! Que tivesse um grande poder de fogo. Armamento bélico, soldados. Era amor. Eu inclusive encontrei um soldado loiro, que me lembrava infantilmente meu pai, Gerard, o homem pelo qual caí de amores a primeira vista. Pelo menos até que minha mente fosse transformada em patê pela maldita da minha irmã e pelos homens miseráveis daquela clínica. Por ter tendências ao nazismo, me enfiaram no diabo de uma clínica de onde saí quase morto e foi o soldado que eu amava quem me tirou de lá. Você não imagina minha felicidade, apesar de que naquele tempo eu estava tão tapado pela abstinência de remédios que nem dava bola para ele, acredite ou não. Não faço a menor idéia do lugar para o qual fui levado, sei que me entreguei por completo para aquele loiro, deixei meu corpo virgem se abrir e acomodá-lo cuidadosamente. Uma noite dessas, durante um sonho eu vi a mim antes e depois da clínica, depois de lá eu realizei meus maiores desejos, no entanto estou debilitado ainda, não penso tão bem quanto antes, mais pareço um retardado e nem consigo falar para o Gerard o que sinto por ele. Tesão, claro, mas além disso. Eu o admiro. Eu o vejo como um espelho para quando eu for mais velho, um exemplo a ser seguido. Queria dizer que quando eu estiver bom e não mais babando nos cantos, eu quero reaprender a dirigir e a usar armas cada vez mais pesadas, que quero trilhar caminho unicamente com ele, sendo seu ajudante, amante ou o que mais ele quiser que eu seja. Sou afobado, eu sei, mas é que tenho necessidade dele, de sua pele, seu cheiro, sua imagem de soldado impossível de sobrepor. Só eu mesmo sei quantas vezes bati punheta para ele, espiando-o enquanto treinava, enquanto atirava naqueles alvos de palha que vi em sua casa. Se é que aquilo é mesmo uma casa... Agora meu fogo, meu calor não é o mesmo, mas juro que estou tentando voltar a ser eu mesmo, voltar para ser útil a ele e o acompanhar onde quer que vá. Vou ser um ótimo soldado, queria só prometer isso.

Mais uma... foto, Aoi

Antigamente, durante esse horário eu estaria cuidando de lavar o corpo de minha próxima vítima. Anestesiada e presa em uma haste, mantida de pé, depois de livrar-me dos pêlos de seu corpo começaria a cobrir-lhe de cera. Cuidadosamente, carinhosamente.
Mas hoje eu não fazia isso.
Pois sim. Antes eu era um assassino frio, doentio que matava para transformar o mundo na loucura que eram meus sonhos. Unicamente porque os achava belos, depois de tanto tempo os tendo compulsivamente. Precisava que meus sonhos, pesadelos ou coisa parecida, se tornassem realidade. Agora, eu estou deitado ao lado de um rapaz fisicamente parecido comigo, meu amante, meu primeiro e único amante. Bobo, talvez até apaixonado, tiro inúmeras fotos de seu rosto vencido pelo sono. Seu rosto assim tão frágil, seu corpo tão belo. Sorrio enquanto faço isso, e faço isso a pelo menos três semanas. Inclusive, me considero um stalker, por causa dessa obsessão boba. Mas é melhor do que matar gente, ou não é? Um close em seus lábios e um flash. Mais uma bela foto para a posteridade. Paro e deixo a câmera de lado, amanhã sei que estarei sorrindo ao lhe contar que passei a madrugada inteira fotografando seu rosto mais uma vez. Ele vai me julgar doente, bobo, mas o adoro do mesmo jeito. Rindo, lhe mostrarei as fotos em uma apresentação de slides e ele ficará envergonhado, sei que sim. Apesar da casca grossa, qualquer um fica sem jeito ao saber que é assim, tão bem admirado, quase colocado sobre um pedestal. E é assim que o vejo, meu modelo favorito, pseudo-irmão... Uma estátua perfeita, a criatura mais sublime que meus olhos já viram. E pensar que antes... Que durante as minhas matanças eu o considerava um rosto entre os demais. Ele tem conteúdo demais para ser transformado em uma coisa que não se move, que não fala. Um último flash e meus dedos se encaminham até seus cabelos, afagando-os. Abaixo meu rosto para capturar seus lábios em um selinho singelo. Levanto e passo as mãos no pijama, indo até a cozinha. Ainda é madrugada, preparo seu café da manhã em segredo. Tudo o que faço durante a madrugada é em segredo. Como o deixaria saber de minha sensibilidade para com seu corpo? Para com seu rosto sonolento? Café pronto, tomo um banho, visto roupas casuais e vou limpar a casa por cima. O apartamento é dele, não quero voltar a morar naquele buraco cheio de estátuas, cuja beleza não se compara a do meu modelo predileto. Tiro a poeira, limpo alguns móveis, pego minha carteira e vou comprar algo. Segredo. Não gosto de revelar a ele o que faço, meus rituais quando não estou na frente dele. Um dia, quando vier me observar pode ser que descubra tudo, toda a doçura guardada a sete chaves... Mas por hora ando pela rua, em direção a floricultura que freqüento todos os dias. A mulher me olha com um sorriso carinhoso, deve achar que a pessoa com quem divido a vida é bastante sortuda, afinal... Compro flores para por sobre a mesa, margaridas e sempre, todos os dias uma única rosa. Esta rosa é embrulhada separada das demais flores, num plástico transparente e enfeitada de forma sutil. Pago pelas flores e ainda compro dois ou três caramelos. Volto para casa só com as margaridas, a rosa é deixada sempre em uma praça, perto do apartamento, presa em uma árvore de galhos altos. O que vale é a intenção, não preciso entregá-la a ele, sou meloso demais às vezes. Já dentro da casa dividida com meu modelo, coloco as margaridas em um vaso sobre a mesa principal, me livrando dos cadáveres das flores da manhã anterior. Sento em uma das cadeiras, apoio o rosto nas mãos, sobre a mesa e fecho os olhos.
Só preciso esperar ele acordar.

Mime...

De alguma forma aquele silêncio me deixava indignado. Eu levantava, coçava os olhos, banhava meu corpo e mesmo assim aquele silêncio não saía de junto de mim. Não importava o quão alto os outros artistas do circo falassem, cantassem ou gritassem. Eu só ouvia silêncio.
. . . 
Estava triste naquela manhã gélida. O sol brilhava de uma forma pálida, a pino no céu, quase hora do almoço. Estava triste porque mais uma vez tinha me visto no espelho durante a manhã, antes que o dia fosse luz. Meus olhos estavam cinzentos, como eram desde meu nascimento. Não entendia, nunca fui capaz de entender porque eles tinham aquela cor morta, pálida, aquela cor horrível. E porque um palhaço como eu, que deveria ser a encarnação das cores devia ter os olhos mortos? Daí surgiu meu fascino. Demônio, como era – e fui desde até antes de nascer – precisava me alimentar de algo sórdido, e minha escolha foram os olhos. Aqueles cheios de cores, lindos. Mastigados, derretiam entre meus lábios e enchiam meu ser de felicidade. Era a inveja fazendo efeito, cruel. Nasci na rua, naquele palco de demônios. Meu pai fugira com a minha mãe quando eu ainda era um recém-nascido, não os culpo, queriam ser felizes. Me deixaram na rua, onde cresci cuidando das outras crianças, protegia os mais fracos e tentava subjugar os mais valentes. Tudo pelas crianças. Algum tempo depois me traíram, me venderam por um punhado de notas de valor baixo. Sofri muito até ser comprado pelo meu antigo Mestre, o que me deu o sobrenome Dell’amore. O que me trouxe ao circo e me treinou como o palhaço que deveria ser. Naquele circo de demônios todos eram felizes, viviam com sorrisos estampados no rosto e eu adorava fitá-los. Subia em uma caixa mais alta, ou me trepava nos tecidos das apresentações noturnas para olhá-los de cima. Tanto, que semanas depois me deram o nome de Ágape, O Amor que Devora. Nunca fiz jus ao nome, talvez esse fosse somente parte de minha origem. Como palhaço, não amei, cresci como um pirralho maroto, que adorava fazer travessuras, que deixava mais e mais pequenos demônios cegos, diariamente, arrancando-lhe os olhos. Época de ouro; Não me julgavam, hoje tenho que tomar mais cuidado com minhas atitudes. Não que eu tenha me tornado menos travesso, claro. Risos. Naquela manhã eu estava sem fome, sem ânimo, sem nada. Só queria chutar a areia que havia entrado na lona do circo e correr, me esconder antes que fosse incumbido da árdua tarefa de varrer o picadeiro. Sou palhaço, não empregada. Saindo da lona, já com a maquiagem branca e o batom vermelho estampando a cara, já com os cabelos azuis e compridos ladeando o rosto, fui verificar os animais. Lembro de ter conversado com alguns cavalos, de ter xingado outros tantos pombos – do mágico! – que faziam questão de cagar em toda parte. Além disso, acho que só verifiquei outros dois coelhos, amigos de longa data, que tinham os pelos alvos e os olhos cor de rubi. Depois, caminhei até as carroças carregadas de feno, ouvindo ao longe alguns gritinhos, pareciam crianças brincando. Arqueei as sobrancelhas tão azuis quanto o resto de meus cabelos e fui andando até mais perto, por pouco não pisando em uma mão franzina, magrinha de um pequeno garoto que estava metido sob a carroça de feno. Arregalei meus olhos mortos e depois de apoiar as mãos na cintura, inclinei a parte frontal do corpo para frente, os cabelos arrastando de leve no chão de terra, de poeira seca.
“Que há, menino?”
Ele me respondeu com um aceno para que eu ficasse calado, parecia com medo. Sorri, mostrando meus dentes pontiagudos e brancos – talvez um pouco amarelados, por falta de cuidado. Fazer o que? Sou palhaço, não dentista. Voltei a minha postura, fuzilei uns outros molecotes que procuravam pelo pequenino acanhado sob a carroça e saí correndo na direção deles, gritando “XÔ! XÔ!”, os espantando como se fossem galinhas. Como se estivessem tentando roubar meu milho. Sério, minhas comparações são terríveis. Eles não pareceram querer ir embora, por isso usei de um truque verdadeiramente sujo, meti medo neles, saíram correndo como se fossem garotinhas depois de eu mostrar-lhes os dentes e prometer que arrancaria a cabeça de cada um deles, fá-los-ia meu almoço. Mentira, claro. Não a parte do almoço, afinal vi que o maior deles tinha olhos azuis muito lindos, então se voltassem, faria questão de arrancá-los para minha coleção. Verdade que posso me alimentar de carne humana, sou antropofágico como todos os outros demônios que dividem espaço comigo, entretanto, tenho uma queda quase um penhasco de queda por olhos. Voltei depressa, quase saltitando para onde estava o menino franzino e acanhado. Não dei tempo para que levantasse, puxei-o pelos braços magros e virei seu corpo na direção do sol, levantando-o com cuidado. Juro que vi o paraíso. Meus olhos cinza encararam o menino loiro, perfeito – talvez um pouco magro. Ele tinha olhos de cores diferentes. Oh inveja, os olhos dele eram diferentes, um azul e o outro verde, enquanto os meus eram cinzentos. Apaixonei-me. Ele estava vestido em farrapos. Abracei-o com todas as minhas forças e entre minhas próprias lágrimas – de emoção, deduzia eu – o levei para dentro do circo. Nossos destinos estavam entrelaçados, eu tinha certeza. Tanto que depois desse dia, passei a amar o silêncio, presente do meu pequenino mímico.

Necro

Faz alguns anos alguém me contou uma história. Era um belo príncipe de um país tão distante que não é possível sequer imaginar a distância daqui ao lugar onde ele mora.
Este príncipe tinha como dever tomar conta de um monte de terra dada por seu pai, ele teria que fazer aquela terra prosperar, porque o príncipe do reino vizinho que era invejoso e cruel queria lhe tomar as férteis terras.
Enquanto o primeiro príncipe fez de sua terra ainda mais fértil e deixou que as árvores crescessem conforme sua vontade, o outro deixou a própria terra extremamente seca como seu coração, já que unicamente o que ele queria era a terra vizinha, que brilhava em flores e orvalho todas as manhãs.
O primeiro príncipe fez sua terra prosperar e conseguiu conter a ameaça do outro, além disso arrumou uma linda garota para casar. O outro príncipe encolheu-se em amargura e após matar a mulher que o primeiro amava, levou-o ao próprio castelo e contou-lhe toda a verdade.
Sem escrúpulos, o príncipe cruel se viu apaixonado pelo primeiro e por sua maneira de governar, de cuidar das terras cada vez mais belas e teve vontade de trazê-lo para si. Sequestrou-o para que fosse amado. O primeiro príncipe se viu sem saída, teve que entregar as terras ao outro e se entregar também... Mas no fim das contas, apesar de todo o coração podre e cruel, ele cuidou muito bem do herói. Eles se sentiram tão bem juntos que o reino se tornou um só e como o poder do amor era forte o bastante, aquele ficou sendo o reino mais fértil e feliz das redondezas.
Não é uma história bonita, Andy?
Mas Andy não podia se mexer nem concordar. Estava morto há horas e seu carrasco ainda não havia desistido de contar-lhe histórias, lendas, uma após a outra. Andy havia morrido baleado em uma briga de policiais contra bandidos, bala perdida. Era inocente, já havia sido entregue nas mãos de seu médico, tutor e carrasco – Nate. Andy se consultara com Nate quando era pequeno, eles se conheciam. Nate estava ciente de que Andy sempre fora um garoto doce, conhecedor de todos. E agora morto.
Havia sido aberto em vários cortes longos e depois costurado. Nate sorriu para ele durante toda aquela ‘operação’. Andy estava com uma expressão serena, os cabelos um pouco compridos e castanhos chamavam atenção, a pele pálida violada pela lâmina do bisturi e pelas agulhas com linhas grossas e negras. Para Nate, Andy estava mais lindo do que nunca. Nate tomou Andy nos braços mais uma vez e beijou seus lábios com carinho. Andy não se mexeu.
Bom garoto, disse Nate abrindo os olhos negros e profundos.  Pelo menos cinco anos mais velho que Andy, Nate tinha longos cabelos loiros que prendia num firme rabo-de-cavalo, com leves ondas. Os olhos eram rodeados por olheiras profundas e a pele era um pouco mais bronzeada que a do cadáver.
É bom vê-lo sem roupa depois de tanto tempo, disse Nate, que sempre tivera uma queda por seu menino, seu paciente mais lindo de olhos cor-de-mel. Era classificado como pervertido por todos que conheciam seus fetiches por garotos como Andy. Nate não entendia, porque ele deveria ser privado de amar? Classificava-se como o segundo príncipe, o cruel... Tinha um jeito torto, mas puro de amar.
Nate encarou o rosto de Andy e mais uma vez tomou seus lábios, mordiscando-os em seguida. Não estavam rígidos, estavam macios ainda... Estava perfeito ainda. Nate desceu o olhar pelo corpo de Andy e começou a alisar sua pele, sentindo saudade do calor casual do corpo, dos corpos. Mas não negava que era muito melhor fazer aquilo com cadáveres. Geralmente era recusado pelos meninos que admirava e mortos eles nada poderiam dizer. Nunca fora recusado por Andy, por isso vê-lo morto naquela mesa gelada fez seu coração bater mais forte, bombeando sangue para lugares que ele até sentia vergonha de pensar.
Nate subiu na mesa gelada e continuou acariciando o corpo de Andy, que estava bem frio. Nate tocou o meio das próprias pernas e estremeceu por causa do volume, da ereção presa ali. Nate baixou a calça e a roupa íntima, tocando-se com a mão quente e gemendo baixinho. Ele abaixou-se um pouco e roçou a própria intimidade no ventre de Andy, sentindo que sua intimidade começou a pulsar como louca. Ele precisava daquilo.
Nate pegou as pernas de Andy e as segurou afastadas, encaixando-se ali. Não havia resistência, ele estava feliz. O loiro acariciou as coxas mortas e começou a se empurrar entre elas, alcançando o interior gelado de Andy.
Seu amor era tão doente... seu amor era tão puro.
E em nenhum momento, Nate fechou os olhos. Precisava ver as expressões do rosto do cadáver, do seu menino, a falta de expressões dele.


. . .

Pseudônimo...

Incesto. Eu nunca achei de verdade que seria algo ruim. Eu a amava, ela me amava, nós nos amávamos... Qual o mal nisso tudo? A gente tinha jogado pedra na cruz? Irmãos não poderiam se amar? E todo aquele papo furado de amor fraternal? Deixa adivinhar... Era tudo mentira, mentira como tudo que nos contam. De chapéu-vermelho a Papai-Noel, tudo uma grande mentira deslavada. Coelho da páscoa, paz mundial, dívida externa. Vai ver nada disso existiu um dia, vai ver... Vai ver isso tudo faça parte de um plano maquiavélico para lavar a mente de todas as pessoas. Mas é, nós nos amávamos. Em uma tarde bonita de sol a pino eu a prometi algo. A tarde estava dourada como seus cabelos, ela era ruiva que nem eu, mas sob o sol, tudo laranja era dourado. Tudo. E durante a felicidade as coisas se tornam da cor que você ama, não se tornam? Eu beijei seus lábios e ela disse que me aceitava como o único homem de sua vida. Ela beijou meus lábios e eu lhe disse, lhe prometi que ela seria a única mulher de sua vida. Era uma promessa, um casamento sem padres, testemunhas, convidados ou bolo. Mas era uma linda promessa, uma promessa eterna. Depois do ‘Incesto’ veio o ‘Sangue’. Sangue vermelho vibrante, contente, lavando os três degraus brancos das escadas da minha casa, isso porque o imbecil do meu pai a arrastou para dentro de casa, e não a enfiou no carro para levar ao hospital. Mas não vou julgá-lo tanto, estava bêbado no fim das contas, a rua estava escura, ela estava voltando para casa depois de uma noite de aulas. Ela era mais velha que eu, cheguei a comentar? O corpo bonito ficou estraçalhado pelas rodas do carro que não sentiu a menor culpa, ficou ali quieto e com os pneus molhados de vermelho-carmim enquanto eu chorava lágrimas de sangue. Era minha amada, só minha. Ela estava morrendo nos meus braços e nem vi seu sorriso. Sabe aquelas cenas de filme? Queria que fosse que nem nelas, ela olharia para mim e diria “Eu te amo tanto...” e eu diria “Também te amo, minha querida...” e após uma longa noite de amor ela estaria curada e entregue em meus braços para sempre. Mas não era um filme. As tripas dela estavam se espalhando pelo carpete bege da sala de estar, o sangue fazendo um desenho grotesco e ela... Ela já estava morta. Com o ‘Sangue’ veio a ‘Revolta’ e junto com ambos, o ‘Desespero’. Não existe bondade nesse mundo, minha mente conturbada e podre, infernal e não-pertencente aos dogmas da sociedade onde eu vivia se tornava pior. Eu jurava sentir meu cérebro derretendo e escorrendo pelo meu nariz à noite... E acordava chorando, acordava sangrando, carregando aquele fardo horrível das pessoas que ficam para suportar a perda. Porque quem vai embora é egoísta, afinal só gera mais problemas? Não pode agüentar sua dor em paz? Aquela vadia não podia segurar as próprias tripas e dizer que estava tudo bem? Ela não podia. Os risos se misturavam ao choro e a saudade, depois disso uma mudança drástica de cidade, estilo e modo de vida. O moleque participativo e alegre foi facilmente substituído por uma cópia barata e podre. Pode cuspir nele, não vai ligar. Ele sangra, ele se corta, ele fuma. Ele faz tudo para contrariar vizinhos e pai. Ele faz tudo para provar que está certo, ele cede a qualquer “Duvido”. Tudo por causa da mãe que não conheceu e da irmã morta em seus braços. Em outra bela tarde – e passei a achar mais bonitas as coisas mórbidas – cinzenta, morta, chata, enquanto me cortava via textos de um escritor, uma pessoa que sempre admirei, distante claro. Deveria ser tão louco quanto eu, afinal só uma pessoa insana pode fazer outra chorar, rir e se contorcer em agonia. Enquanto lia e me cortava, sentir meu corpo arder e não me senti surpreso quando vi o teclado do meu note sujo. Sujo de porra. Depois daquilo um riso histérico e amigos novos, todos barra-pesada. Prostitutos e Junkies. Vagabundos e drogados. Todos eles me faziam levantar de novo, me davam sentido ao simples duvido. Eles duvidavam de mim e isso era o bastante. Foi assim que me tornei sutilmente drogado, louco... E agora a dois passos de me virar uma puta.


Estou a dois passos do paraíso. Estou a dois passos do inferno. Estou a dois passos de ser o que sempre detestei.
Mas me duvidaram, fazer o que?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Começou com uma barata...


Primeiro foi uma barata. Uma daquelas bonitas que sempre tem que aparecer na casa da gente cedo ou tarde, uma barata grande, cascuda, que mais parecia um besouro reluzente por causa de suas cores berrantes.

Eu não tinha mais de seis anos. Lembro que meus pais haviam saído de casa para comprar alguma coisa, já faz muito tempo, os detalhes escorrem da minha mente como areia desce pela ampulheta. Eu estava andando até o quarto deles e na passagem do corredor, exatamente no portal ela estava lá.
 
Uma mistura de vermelho, laranja, amarelo e preto, redonda... Deveria ter mais de cinco centímetros, achei que estava morta e olhei-a com um ar pesaroso. Pobrezinha, tive pena. Estava com o casco para baixo e as patinhas engraçadas para cima... Eu me perguntava como teria morrido...

Não gostava de baratas, na semana anterior uma havia pulado sobre mim e eu tinha me debatido até que ela saísse voando. Tirei meu tênis e a acertei, esmagando-a contra a parede, deixando nela uma marca mais escura de ‘Olá, matei uma barata aqui!’.

Depois de rezar pela alma dela, levantei-me, entrando no quarto de meus pais e subindo na cama deles, pegando um dos travesseiros mais fofos para deitar acomodado nele, na sala de estar enquanto assistia documentários sobre animais ou fantasmas. Deixaria a falecida baratinha inerte e mostraria para a minha mãe quando ela voltasse.
O problema foi que quando eu estava prestes a sai do quarto pelo mesmo portal embaratado e dirigi meus olhos à falecida, suas patinhas se moveram e vi que ela estava tentando se virar e tomar seu caminho. Joguei o travesseiro para a cama e coloquei as mãos na cabeça. Esmagar aquele inseto deixaria toda a casa suja de seu suco interno, afinal era um bicho roliço. Estremeci dos pés a cabeça enquanto a pobre barata lutava por liberdade e se debatia. Queria virar-se...

Eu não iria deixar.

Subi no armário da minha mãe e lá em cima peguei um daqueles enormes frascos de veneno. O sacudi em desespero e apontei a saída de veneno para a barata, a uma altura de meio metro... Aquilo cairia como chuva ácida em seu corpo encarapuçado. Apertei com fé o gatilho da minha arma e a chuva assassina começou a cair por seu corpo colorido. Até aí tudo bem, a deixaria morrer aos poucos como o humano porco que era – e sou até hoje! – entretanto precisava assistir a pequena criatura agonizar. Primeiro as patinhas se moveram mais rápido... Depois eu ouvi o grito – sim, um grito – vindo sabe-se lá de onde, já que não sei se baratas tem cordas vocais.

Era um som agudo e arranhado, semelhante a quando passam unhas muito compridas na lousa negra, no quadro de giz. Ela se retorcia e gritava e eu estava ali parado... Olhando como um assassino...
Naquela tarde eu senti três coisas... Durante o assassinato, claro.

Primeiro senti muita pena dela, pensei até em sua possível família, pensei em tudo... Senti muita pena da pobrezinha. A segunda coisa foi o molhado em meu rosto, o choro que não se conteve enquanto estava eu de pé olhando para aquilo. As lágrimas vertiam de meus olhos, lavando minha pele com seu gosto salgado, tentando me purifica.

A terceira coisa foi minha calça ficando molhada. De medo.

Depois deste fatídico grito e da pobre barata que nada havia feito a não ser lutar por sua vida, eu comecei a ter pesadelos todas as noites... E todos os dias, contava para meus pais cada um deles.

Nunca mais tive um sonho considerado bom e fui crescendo com a mente perturbada – tenho consciência disso – por causa de algo tão bobo quanto o grito de um inseto.


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Nossa, eu amo muito o Charlie.
Ele é perturbado pelos próprios pesadelos desde este acontecimento da pequena estória acima. Mas é uma graça de toda forma, apesar dos traumas...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ann


Eu bati no rosto dela...

Mas foi porque não estava mais agüentando, você não deve saber o que é isso.

Tudo começou quando ela chegou à escola. Era linda... Pequena, com uma face angelical e doce. Chamou a atenção de poucas pessoas, porque normalmente estavam interessados nas garotas de seios avantajados, de corpo escultural. Ela não, era simples, pequena, franzina, batida.

Quando entrou virou motivo de chacota, além de se tornar mascote da turma, por ser novinha e baixinha.
Eu a adorei desde que chegou, mas como sempre fui muito fechada em mim mesma, não puxei assunto. Só ficava admirando-a de longe, sem deixar ninguém perceber.

O que meus amigos diriam ao perceber que eu estava caidinha por uma garota novata que não tinha nenhum atrativo? Todo mundo conhecia minha fama de lésbica na escola, eu sempre fui alta, não tinha um corpo masculino, mas não me comportava como uma garotinha. Eu agia como gostava de agir, amava andar de bicicleta, andava de skate... Vivia coberta de curativos porque nunca parei quieta.

A novata – que vamos chamar de Ann, porque não quero que descubram nada sobre ninguém daqui – era diferente de mim. Tinha os cabelos em cachos românticos e grandes, caindo pelas costas... A cintura era fina, era marcada apesar de as roupas dela não demonstrarem isso...

Ela era um anjo, um anjo que ficava no meu extremo oposto.

Ann nunca se aproximou de mim, acho que ela tinha medo, como muita gente tinha... Ela passou praticamente todo o ensino médio colada numa outra garota, esta que eu não gostava... Era metida, não dava para a minha Ann o que merecia, não lhe dava atenção... Mas a minha pequena continuava na cola dela, não a largava para nada.

Perdoem-me por comparar a menina que gosto com isso, mas ela parecia um cachorrinho, cada vez que a outra garota se aproximava, ela colocava um sorriso enorme de doce no rosto e ficava ouvindo-a...
Passamos assim o primeiro e o segundo ano do ensino médio. No terceiro ano, logo no começo das aulas eu me assustei quando estava desenhando alguma bobagem no caderno e ela chegou bastante cedo, caminhando para bem perto de mim e sentando do lado.

- Oi... – Vi que ela estava morta de vergonha. Sorri de imediato, era tão fofa.
- Oi. – Respondia. Tá, sei que fui seca.. Tirei o sorriso idiota do rosto imediatamente, estava fazendo papel de boba.

O que ela iria achar se me visse sorrindo que nem uma tonta só porque estava perto? Eu nunca sorria, não o faria para ela... Pena que minha reação a deixou assustada.
A vi arregalar os olhos e baixei a cabeça para o meu desenho. Não desistiu, tentou puxar assunto novamente.

- Você... Você desenha...
- Ah jura? – Nossa, eu sempre sou assim tão simpática?

O que eu achei estranho, foi ela continuar puxando assunto mesmo comigo dando um monte de cortadas. Acontece que ela se afastou um pouco daquela outra e veio andar comigo, ficava perguntando um monte de coisas sobre a minha sexualidade e tal.

Até aí estava tudo muito bem, eu estava adorando passar mais tempo com a minha Ann, até sorria para ela, ao que ela parecia bem feliz com isso.
Um dia, estávamos por trás da quadra da escola conversando tranquilamente sob a sombra de algumas árvores, foi naquele dia que eu me tornei mais confusa do que era... Fiquei completamente perplexa.
Ela falava das matérias da escola, eu comentava das minhas ex-namoradas, tinha descoberto que ela se interessava muito nestes assuntos.

- Como você pode ficar com qualquer menina assim?
- Ora, simplesmente acontece, Ann... Eu sinto vontade, ela também... Aí ficamos.
- Queria que fosse assim... – Ela comentou e a vi baixar um pouco mais o rosto.
- Que disse?
- Queria ter coragem como você tem...
- Mas para que? – Meu coração palpitou a ponto de quase sair. Eu estava esperando ela falar algo para tomar uma atitude e pedir para beijá-la...

Queria tê-la para mim desde o primeiro ano, antes morria de medo de ela me recusar, por isso nem falava com a minha pequena. Mas quando estávamos no terceiro ano, depois que ela começou a falar comigo, a sentia cada vez mais próxima, nunca via repulsa quando a abraçava ou tentava beijar seu rosto...

- Para contar para a Erica o que eu sinto de verdade.

Eu fiquei pasma por alguns minutos. Uma das minhas mãos foi até minha boca, mordi meu polegar com força sentindo os olhos encherem de lágrimas... mas claro que não iria chorar, não na frente da Ann. Não porque ela tinha dito que gostava daquela metida maldita.

Ali eu descobrira porque ela sempre ficara na cola da outra, porque a MINHA Ann fazia todas as vontades daquela idiota que nem olhava para ela direito.
Eu sentia meu chão sumir aos poucos, como se eu estivesse sendo engolida por um punhado de areia molhada.

Engoli meu suposto choro e sorri para ela, um tanto nervosa. Baguncei seus cabelos ao que ela olhava para mim toda vermelha.

- Entendi... Olha, para o que você precisar, eu vou estar aqui. – Eu falei, ao que dentro de mim estava me matando.

Ela sorriu para mim, tão doce, tão agradecida que derreti de imediato.
Ela me abraçou e deu-me um selinho nos lábios.

Quando ela se foi para a sala eu fiquei ali sentada, até o final das aulas, chorando como uma condenada até me sentir mais leve.

E demorei a ficar melhor, sempre ficava para baixo quando terminava de falar com ela, sempre lhe dava conselhos que ela obedecia cegamente... E quando a outra não dava-lhe atenção ela vinha correndo até mim, pedindo conselhos, pedindo ajuda.
Eu abria os braços e a afagava durante horas, beijando seu rosto, falando que estava tudo bem.

E ela nunca, nunca percebeu o que eu sentia.

Ficava cada vez mais fechada, não queria mais sair com meus amigos, eu só queria ficar esperando ela vir correndo para mim, vir me pedir para ficar junto dela...

Imagina passar um ano inteiro nesta agonia?

Eu passei o ano todo aconselhando ela, o ano todo escondendo todos os meus sentimentos para fazê-la feliz. Mas a cada vez que a maldita vinha até mim, estava mais triste por causa da puta da Erica.
No fim do ano aquela situação estava insuportável. No dia da formatura ela disse que contaria tudo para aquela insana, perguntaria o que ela sentia de verdade. Eu a apoiei completamente.

Então lá estava eu, de vestido (odeio vestido) na formatura, sentada sob aquelas mesmas árvores de sempre. Eu estava com um allstar preto e um vestido lilás. Não estava a coisa mais bonita do mundo, mas felizmente minha mochila estava numa das salas e lá eu tinha roupas decentes.
Ao longe eu podia ouvir a música do salão de dança, estava com preguiça de trocar de roupa, por isso o vestido.

Eu vi minha pequena Ann vindo devagar... Ela sim estava bonita.

O vestido lilás caía perfeito nela... Os ombros nus e sem marca alguma, o rosto pintado somente com uma sombra nas pálpebras e uma camada brilhante de gloss labial incolor nos lábios... Nos pés ela tinha uma sapatilha da cor do vestido... Os cabelos estavam soltos com aqueles mesmos cachos românticos que eu adorava.

Era impossível não sorrir vendo seu rosto lindo, os passos angelicais na minha direção... Mas tinha algo muito errado. Ela odiava colocar rouge nas bochechas, mas mesmo assim seu rosto estava vermelho.

E olhando melhor, de seus olhos grandes escorriam enormes lágrimas que faziam sua maquiagem derreter aos poucos. Porque ela estava chorando?

Levantei-me desesperada e a vi parar na minha frente, meus braços a envolveram e escutei ela chorar, murmurar coisas incompreensíveis.
 Segurei seu rosto com minhas duas mãos e beijei seus lábios sutilmente.

- Que aconteceu, Ann? Porque este choro?
- E—Ela... Ela.... Ela está com um garoto.... – E caiu num pranto desesperado.

Olha, eu sei que não era culpa dela, mas Ann estava sendo muito idiota, estava sofrendo tanto por alguém que nem ligava para ela enquanto eu estava aqui, esperando, amando-a independente de suas ações bobas.

 Me afastei um pouco e levantei minha mão direita. Meus olhos se encheram de lágrimas e só eu sei com que força mordi meus lábios... Mas sim, eu bati no rosto dela, dei uma tapa no rosto dela com força.
Eu nunca acreditei muito naquela frase de “Isso vai doer mais em mim do que em você”, mas naquela noite eu descobri o que era aquilo... Completamente.

Eu vi minha Ann cair ajoelhada no chão, chorando ainda mais.

Bati no rosto dela porque não estava mais agüentando... Doía demais em mim.
Segurei-a pelo braço e a levantei, só aí percebendo que eu também chorava. A abracei como podia, beijando seus lábios com todo o carinho do mundo.
Queria que não fosse assim tão boba, Ann, mas você nunca muda, não é...?

Você continua tão inocente
Você continua amando...
Porque você não escolhe amar a mim? Eu já escolhi você.
Hey, Ann... Porque não abre os olhos para mim?