sábado, 5 de novembro de 2011

Amor...

Eu amo. Sendo uma das faces do amor eu amo desesperadamente, e amo meu melhor amigo com todas as minhas forças. Tantas vezes tentei me conter, deixar de abraçá-lo e não consegui. Não entendo seus atos bobos, a vontade que tem de ficar perto de mim, mas mesmo assim o amo, por isso que nunca o afasto, por isso estou sempre perto, beijando seu rosto, afagando-lhe os cabelos. Vontade de nunca mais soltá-lo. Meu amigo, meu melhor amigo, que não quero, nem ouso dividir com ninguém. Chamo-me Philos, e das faces do amor sou a primeira, a amizade pura, o amor de amigo, fraternal que me une para sempre com quem está perto de mim. Nos cantos, suspiro enquanto meu parceiro não aparece, Eros que sempre faz questão de estar grudado a mim, geralmente procura outros para descontar seu amor, que não entendo. Para mim, amor é amor, amizade. Para mim, todas as faces do amor são as mesmas. Por isso tenho ciúmes, queria que Eros fosse só minha amizade, só meu amor, mas ele parece procurar outros corpos, outras presenças para amar como se só eu não fosse o suficiente. Sofro calado, mas o espero de braços abertos, e o aperto desesperadamente no meu abraço quando aparece, lindo como só ele, perfeito. Meu amigo.


Eros. Queria tanto poder dizer tudo isso a ele. Sei que não me ouviria, já que está centrado em tantas outras coisas distantes... Mas uma vez, só uma precisava que prestasse atenção em mim, nas lágrimas que derramo por ciúmes, por medo de que não fiquemos mais juntos, de que nossa proximidade vá embora. Não, não quero, não posso... Preciso dos abraços dele, de toda a vontade que tem de tocar minha pele quando estamos juntos, mesmo sem eu saber o porquê disso. Afinal ele quer me amar de um jeito diferente, um amor que não conheço. Quer que nos envolvamos como amantes, mas sei que este amor não foi feito para mim. Só quero enchê-lo de carinhos, de afáveis beijos, abraços apertados. Quero niná-lo, o fazer dormir em meu colo e velar seu sono. Fui feito para te amar, Eros.
Por isso meu coração bate tão forte.
Por isso o espaço no peito não parece o bastante.
“Philos ama Eros. Não ama como deveria amar, não consegue consumir tudo isso com amizade. Ele ama mais, ele quase o devora com seu amor mesmo sem saber por que faz isso. Philos tem um pouco de Eros e de Ágape, afinal cada face do amor é ela mesma, abraçada com as outras duas. Philos precisa de Eros com todo o egoísmo da amizade, com toda a possessão dela, e sofre por isso. Philos é puro, mas a amizade gerada por ele não. Não é, nunca foi, é motivo para morrer, matar e chorar. Por isso, se pudesse colocava o amigo entre os braços e nunca mais o soltaria, por isso o aperta tão forte em meio aos abraços.”
Porque até o amor sofre. E sofre por ele mesmo, egoísta.

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