E quem diria que aquele que escreve tanto ficara tão sem jeito para fazer algo assim.
Pois é. A verdade é que não sou muito bom escrevendo coisas em primeira pessoa, muito menos quando o personagem principal sou eu mesmo. Só sei escrever contos bobos e depressivos, que apesar de expressarem meu próprio passado e o que tenho no meu peito, não parecem comigo exteriormente. Geralmente meus personagens são fortes e conseguem superar todas as dificuldades que são colocadas em seus caminhos, mas eu não sou assim, quantas vezes já caí? Perdi a conta da quantidade de vezes que havia desistido e que alguém teve que me levantar, agradeço hoje, pois o que de bom construí, devo àqueles que salvaram minha pele no passado, que não deixaram que eu mergulhasse no caminho sem volta, tão cruel. Engraçado, quando conheci o Mill, estava tentando me recuperar da última queda, tão macabra que parecia que minhas pernas haviam sido cortadas. E acho que havia acontecido quase isso. Nele eu vi uma oportunidade de cair de cabeça em algo distante daquele sofrimento todo. Criando responsabilidade, esqueceria de meus problemas. Ou assim eu pensava. Não digo que hoje me pego amando. Suspirar pelos cantos e sonhar com romances, com cenas melosas era algo que eu fazia bem antes, hoje não posso me dar a esse luxo. Digo que me pego imaginando, lembrando dele e divagando. Me pego escrevendo sobre ele e sobre seu outro eu. Tão escondidos, envolvidos e diferentes um do outro. Hoje, não descarto a possibilidade de amar novamente, coisa que eu enojava antes. Acreditava que o motivo de permanecer na terra era para pagar meus pecados, que felicidade era algo muito, muito longe! Hoje... Isso está tão perto, em cada sorriso do Mill ou em cada abraço do Key (NÃO, NÃO VOU COMENTAR OUTRAS COISAS), no fato de eles estarem tão perto, me apoiando e me ninando, me impedindo de ter pesadelos a noite ou de chorar pelos cantos, como fazia antes. Só posso agradecer e dizer, sem sombra de dúvidas que não me faltam mais motivos para ser feliz. Agora só preciso correr atrás, porque sem lutar ninguém pode ter nada.
Hansel Wax
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