sábado, 5 de novembro de 2011

Namorado

Mais um pedaço arrancado de pele e estava perfeito. Perfeito preso naquela cruz feita de madeira, sua pele branca completamente rasgada e seu sangue descendo. Contraste divinamente belo. E eu? Eu já sentia meu corpo pulsando por dentro e por fora, o coração disparado, a ereção dolorida no meio das pernas. Belo. Bonito demais para ser ignorado ou deixado para trás.
Para minha felicidade, a cruz não era assim tão alta e suas pernas estavam soltas, só era preso pelas mãos e pela pele acima dos ombros. O peito estava retalhado por cortes de lâmina e eu via... Entre suas pernas que estava gostando tanto quanto eu. Pena que teria que morrer, ninguém sobreviveria a aqueles cortes, a todo aquele prazer. Segurei suas pernas com cuidado e as afastei, fazendo com que as apoiasse sobre meus ombros enquanto suas costas ainda batiam contra a cruz.
Era tão linda sua expressão de prazer... Ou de dor.
Coloquei dois dos três dedos que usaria para prepará-lo, ele se remexeu reclamando apesar de saber que eu não iria parar. Forcei o terceiro quase de imediato e ele gemeu, deliciado. Era assim que eu o queria. Os forçava contra ele devagar, rasgando um pouco de seu interior com minhas unhas que eram um pouco maiores do que o sugerido para quem vai fazer essa tarefa. Ele chamava pelo meu nome, pedia que eu parasse.
Deus! Como suportar algo assim? Inclinei-me e tomei seus lábios com fúria, mordendo sua língua que ele enroscava desesperadamente a minha, enquanto isso, abri minhas calças e comecei a roçar sua entrada com meu membro teso. Deus ele estava pedindo por aquilo! E como estava! E como estava!
Sem separar-me daquele beijo, comecei a me forçar contra ele, sem dó, sem piedade, até sentir que ele largava minha boca para gritar. Eu estava em êxtase quase absoluto, meu corpo pulsava e eu me via amando cada vez mais aquele garoto de longos cabelos negros. Usei minhas mãos para segurar suas coxas e afastá-las, estocando seu íntimo, gemendo conforme ele gritava, conforme chamava pelo meu nome e lentamente começava a gemer... Tanto quanto eu agora.
Por mais incrível que pudesse parecer, ele gozou antes de mim e pareceu entregue, exausto. Eu, pelo contrário ainda desejava seu corpo, sequer percebendo quando ele tombou o rosto, já sem vida, pálido para o lado. Alcançava seu interior, o tomava tão intensamente que não ia percebendo sua temperatura cair... Era de forma tão singela.
Puxei-o com força daquela cruz, rasgando suas mãos e a pele de seus ombros, jogando-o com violência no chão, virando-o de bruços e suspendendo seu quadril. Nunca havia ficado tão louco quanto estava naquele momento. Lambia sua pele, mordia, arrancava alguns pedaços que não tardava a engolir, mas tudo isso sem parar de invadir, de violar seu corpo que julgava eu, ainda estava vivo.
Cheguei ao meu apogeu, a aquele ponto que não tem mais volta, que você cai por cima do corpo alheio e fica respirando seu cheiro, roçando o rosto em sua pele. Manchei seu interior com meu prazer e me afastei, jogando-me ao seu lado e o puxando contra meu corpo. Estava um pouco frio... Tinha febre? Estava desmaiado?
Sorri de forma até doce, puxando seu rosto contra o meu, roubando seus lábios em um beijo sedento, onde buscava sua língua ainda um pouco quente, que, no entanto não se movia. Afastei-me e acariciei seus cabelos. Deitei a cabeça em seu peito com cortes profundos e parei, procurando ouvir seu coração.
Não mais batia.
Deixei que o sorriso só aumentasse e o tomei no colo, deitando-o entre meus braços e começando a cantar-lhe uma música, algo que eu sabia desde sempre, mas não fazia idéia de quem tinha me ensinado.

Oh doce menina
Venha no meu embalo
Sorria gentil para seu amigo
Sorria gentil para seu namorado
Abra seus olhos da cor do céu
E venha olhar o desfile
As cores e amores na frente de você
Fazendo com que não exista mais... nada.
Não exista mais céu
Não exista mais amigo
Não exista mais namorado
Olhe o desfile até que seus olhos se fechem
E você possa ver de perto seu céu
Seu amigo que já morreu
E venha buscar... o seu namorado

Confesso que rezei para que ele voltasse para me buscar, mesmo não sendo meu namorado. Ri de minha tolice pouco depois e levei o corpo comigo. Merecia o melhor lugar de meu jardim, aquele na frente das roseiras enterrado com meu primeiro namorado.

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