Faz alguns anos alguém me contou uma história. Era um belo príncipe de um país tão distante que não é possível sequer imaginar a distância daqui ao lugar onde ele mora.
Este príncipe tinha como dever tomar conta de um monte de terra dada por seu pai, ele teria que fazer aquela terra prosperar, porque o príncipe do reino vizinho que era invejoso e cruel queria lhe tomar as férteis terras.
Enquanto o primeiro príncipe fez de sua terra ainda mais fértil e deixou que as árvores crescessem conforme sua vontade, o outro deixou a própria terra extremamente seca como seu coração, já que unicamente o que ele queria era a terra vizinha, que brilhava em flores e orvalho todas as manhãs.
O primeiro príncipe fez sua terra prosperar e conseguiu conter a ameaça do outro, além disso arrumou uma linda garota para casar. O outro príncipe encolheu-se em amargura e após matar a mulher que o primeiro amava, levou-o ao próprio castelo e contou-lhe toda a verdade.
Sem escrúpulos, o príncipe cruel se viu apaixonado pelo primeiro e por sua maneira de governar, de cuidar das terras cada vez mais belas e teve vontade de trazê-lo para si. Sequestrou-o para que fosse amado. O primeiro príncipe se viu sem saída, teve que entregar as terras ao outro e se entregar também... Mas no fim das contas, apesar de todo o coração podre e cruel, ele cuidou muito bem do herói. Eles se sentiram tão bem juntos que o reino se tornou um só e como o poder do amor era forte o bastante, aquele ficou sendo o reino mais fértil e feliz das redondezas.
Não é uma história bonita, Andy?
Mas Andy não podia se mexer nem concordar. Estava morto há horas e seu carrasco ainda não havia desistido de contar-lhe histórias, lendas, uma após a outra. Andy havia morrido baleado em uma briga de policiais contra bandidos, bala perdida. Era inocente, já havia sido entregue nas mãos de seu médico, tutor e carrasco – Nate. Andy se consultara com Nate quando era pequeno, eles se conheciam. Nate estava ciente de que Andy sempre fora um garoto doce, conhecedor de todos. E agora morto.
Havia sido aberto em vários cortes longos e depois costurado. Nate sorriu para ele durante toda aquela ‘operação’. Andy estava com uma expressão serena, os cabelos um pouco compridos e castanhos chamavam atenção, a pele pálida violada pela lâmina do bisturi e pelas agulhas com linhas grossas e negras. Para Nate, Andy estava mais lindo do que nunca. Nate tomou Andy nos braços mais uma vez e beijou seus lábios com carinho. Andy não se mexeu.
Bom garoto, disse Nate abrindo os olhos negros e profundos. Pelo menos cinco anos mais velho que Andy, Nate tinha longos cabelos loiros que prendia num firme rabo-de-cavalo, com leves ondas. Os olhos eram rodeados por olheiras profundas e a pele era um pouco mais bronzeada que a do cadáver.
É bom vê-lo sem roupa depois de tanto tempo, disse Nate, que sempre tivera uma queda por seu menino, seu paciente mais lindo de olhos cor-de-mel. Era classificado como pervertido por todos que conheciam seus fetiches por garotos como Andy. Nate não entendia, porque ele deveria ser privado de amar? Classificava-se como o segundo príncipe, o cruel... Tinha um jeito torto, mas puro de amar.
Nate encarou o rosto de Andy e mais uma vez tomou seus lábios, mordiscando-os em seguida. Não estavam rígidos, estavam macios ainda... Estava perfeito ainda. Nate desceu o olhar pelo corpo de Andy e começou a alisar sua pele, sentindo saudade do calor casual do corpo, dos corpos. Mas não negava que era muito melhor fazer aquilo com cadáveres. Geralmente era recusado pelos meninos que admirava e mortos eles nada poderiam dizer. Nunca fora recusado por Andy, por isso vê-lo morto naquela mesa gelada fez seu coração bater mais forte, bombeando sangue para lugares que ele até sentia vergonha de pensar.
Nate subiu na mesa gelada e continuou acariciando o corpo de Andy, que estava bem frio. Nate tocou o meio das próprias pernas e estremeceu por causa do volume, da ereção presa ali. Nate baixou a calça e a roupa íntima, tocando-se com a mão quente e gemendo baixinho. Ele abaixou-se um pouco e roçou a própria intimidade no ventre de Andy, sentindo que sua intimidade começou a pulsar como louca. Ele precisava daquilo.
Nate pegou as pernas de Andy e as segurou afastadas, encaixando-se ali. Não havia resistência, ele estava feliz. O loiro acariciou as coxas mortas e começou a se empurrar entre elas, alcançando o interior gelado de Andy.
Seu amor era tão doente... seu amor era tão puro.
E em nenhum momento, Nate fechou os olhos. Precisava ver as expressões do rosto do cadáver, do seu menino, a falta de expressões dele.
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